O nome assusta mais do que a ideia. No Tesouro Direto, você empresta dinheiro ao governo federal por um prazo e recebe de volta com a remuneração combinada na compra. É o programa do Tesouro Nacional para a pessoa física comprar títulos públicos pela internet.
Este texto explica o básico do Tesouro Direto: quem deve o dinheiro, o que cada tipo de título promete, por que o preço muda antes do vencimento, quanto custa e como se compra. É a base para entender todo o resto da renda fixa pública.
Quem deve o dinheiro, e o que garante
Quem compra um título do Tesouro Direto passa a ser credor do Tesouro Nacional, que é quem emite o título. A garantia vem dele: segundo o próprio programa, os títulos são garantidos pelo Tesouro Nacional.
Por isso o título público não entra na garantia do FGC, que cobre depósitos e alguns títulos de banco, como poupança, CDB, LCI e LCA. A proteção continua, com outro garantidor: no Tesouro Direto, o risco é o do governo federal, e não o de um banco.
Direto, sem fundo no meio
O nome diz muito. Você compra o título direto, e ele fica em seu nome. Não há um fundo entre você e o título.
Isso tem uma consequência prática: não existe come-cotas, aquele imposto que a maioria dos fundos retém em maio e novembro, antes do resgate. No Tesouro Direto, o imposto de renda é cobrado quando você recebe, e segue a tabela regressiva da renda fixa: 22,5% até 180 dias, caindo até 15% acima de 720 dias, pela Lei 11.033/2004.
Os títulos, e o que cada um promete
O Tesouro Direto oferece algumas famílias de título. O que muda entre elas é o indexador (a Selic, uma taxa prefixada ou o IPCA mais uma taxa) e a forma de pagamento (tudo no vencimento, juros a cada seis meses ou renda mensal).
- Tesouro Selic: acompanha a taxa Selic. Segundo o Tesouro, o preço tem baixa volatilidade. Entre os títulos com preço de mercado, é o que menos oscila antes do vencimento.
- Tesouro Prefixado: a taxa fica definida na compra. Levado até o vencimento, você sabe exatamente quanto vai receber. Existe com e sem pagamento de juros a cada seis meses.
- Tesouro IPCA+: paga a inflação medida pelo IPCA mais uma taxa definida na compra. Serve para proteger o poder de compra em prazos longos. Também existe com e sem juros semestrais.
- Tesouro Educa+ e Tesouro RendA+: títulos atrelados à inflação que, a partir de uma data, passam a pagar em parcelas mensais: o Educa+ por 5 anos, para complementar a renda durante os estudos, e o RendA+ por 20 anos, pensando na aposentadoria.
- Tesouro Reserva: rende 100% da Selic por dia útil e permite resgate imediato; o Tesouro o apresenta como produto para reserva de emergência.
Não existe o melhor título. Existe o título que combina com o prazo do seu objetivo, e é por isso que ele se escolhe depois do objetivo, como mostra o guia de como começar a investir.
O preço antes do vencimento
Aqui mora a parte que mais surpreende quem começa. Se você leva o título até o vencimento, recebe a rentabilidade definida na compra. Se vende antes, o Tesouro recompra pelo preço de mercado daquele dia, e esse preço muda.
Quando os juros do mercado sobem acima da taxa que você contratou, o preço do título cai; quando descem, sobe. O efeito é pequeno no Tesouro Selic e maior no prefixado e no IPCA+, e cresce com a distância do vencimento. A marcação a mercado explica o mecanismo com um exemplo. Para o que move esses juros, a Selic é o começo da explicação, e o que a taxa Selic muda no seu bolso mostra como ela funciona.
A regra prática é simples: se você pode precisar do dinheiro antes do vencimento, escolha pensando no preço do dia em que vai sair, e não só na taxa da compra.
Quanto custa
São três custos, e as regras de todos eles são públicas antes da compra:
- Taxa de custódia da B3: 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos no Tesouro Selic, no Prefixado, no IPCA+ e no Tesouro Reserva, com isenção para valores até R$ 10 mil no Tesouro Selic e no Tesouro Reserva. O Educa+ e o RendA+ têm regra própria: a taxa só é cobrada no resgate antecipado ou nos pagamentos mensais, com isenção para a renda mensal até um limite em salários mínimos.
- Taxa da instituição: depende da política de cada banco ou corretora, e o site do Tesouro Direto publica as taxas cobradas por cada instituição. Confira antes de abrir a conta.
- Impostos: imposto de renda pela tabela regressiva e, no resgate com menos de 30 dias, IOF sobre o rendimento.
Como começar
- Abra conta numa instituição habilitada. Todo investidor do Tesouro Direto precisa de conta num banco ou numa corretora habilitada pelo programa, e é nessa conta que caem os resgates e os juros.
- Defina o objetivo e o prazo antes do título. É o prazo que aponta a família certa, como mostra a seção acima.
- Comece com o que cabe no mês. Dá para começar com pouco: o investimento mínimo de cada título aparece na tabela Rendimento dos Títulos, no site do Tesouro Direto.
- Saiba como sair. Em dia útil, o resgate pedido entre 9h30 e 13h é liquidado no mesmo dia, em condições normais de mercado; o repasse à sua conta depende da instituição. Pedido à noite, no fim de semana ou no feriado, sai pelo preço de abertura do dia útil seguinte. Há duas exceções: o Educa+ e o RendA+ só podem ser resgatados após 60 dias da compra, e o Tesouro Reserva funciona praticamente 24 horas por dia, todos os dias, com resgate imediato.
Se a dúvida é como o Tesouro se compara com as opções de banco, Tesouro, CDB e poupança põe os três lado a lado, e como a inflação corrói o dinheiro parado mostra a régua que vale para todos.
Em resumo: o Tesouro Direto
- No Tesouro Direto, você empresta ao governo federal. A garantia é do Tesouro Nacional, não do FGC.
- Você compra o título direto, sem fundo no meio, e por isso não há come-cotas: o imposto de renda é regressivo e cobrado quando você recebe.
- As famílias de título mudam no indexador e na forma de pagamento: Selic, prefixado e IPCA+; Educa+ e RendA+, com renda mensal; e o Tesouro Reserva.
- Levado ao vencimento, o título paga o combinado. Antes dele, vale o preço do dia, que oscila pouco no Tesouro Selic e mais nos prefixados e nos atrelados à inflação.
- Os custos são a custódia da B3, a taxa da instituição e os impostos. As regras são públicas, e o site do Tesouro Direto publica as taxas de cada instituição.
Conteúdo educacional. Não é recomendação de investimento, e nenhuma instituição ou título é indicado aqui. As regras, as taxas e os limites citados são os vigentes em setembro de 2026 e podem mudar. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Para a sua situação, procure um profissional habilitado.


